por Djuli Mosena*
Em 1905 Einstein foi ao banheiro. Lá ele sentou, pensou, lembrou das compras no mercado, da bosta de cavalo que havia pisado no dia anterior, aparou o - então ralo - bigode, deu aquela desarrumada estratégica no cabelo, lavou as mãos e saiu.
Parecia-lhe que havia passado um bocado de tempo, digamos uns 15 minutos no mínimo. O tempo exato para o cozido que havia deixado na panela ficar pronto. Dirigiu-se a ela e tirou a tampa. Ficou espantadíssimo com tudo ainda muito frio.
“Será que esqueci do fogo?”, pensou. Não, estava tudo ok. “Mas eu fui ao banheiro, fiz tudo e ainda esta aqui, como se tivesse passado somente 3 minutos”.
Olhou para o relógio e se deu conta: Só havia, realmente, passado 4 minutos e 37 segundos.
“COMO ASSIM? Não pode... Será que o tempo aqui e no banheiro passa diferente?”
A partir daí vocês sabem o que aconteceu: teoria da relatividade geral e tal.

Nosso querido e linguarudo Albert ficou perplexo com uma coisa que todos já passaram. Quando 5 minutos se transformam em 3 horas e 2 horas se transformam em 17 minutos. Teoricamente não, óbvio, mas na percepção sim.
Banheiro? Exemplo clássico. Mas um novo “local” toma conta desde o finalzinho dos anos 90, a nossa querida dama linda cheia de moças de biquini devoradora de tempo: a internet!
É normal entrar no youtube “Só para olhar esse vídeo que meu amigo comentou” e acabar assistindo todos os 120 episódios de A Usurpadora.
Ou mesmo “Ler esse artigo no blog famoso” e acabar discutindo com uma sem noção nos comentários, achando o perfil dela no Facebook e publicando na timeline as antigas fotos dela do Flogão.
Quem dirá os antigos anciões da internet (eu, o Djuli) que esperavam uma noite inteira para baixar somente uma música no Napster, isso quando ela vinha inteira e sem partes repetidas.

Mas é unanime, na nossa internet o tempo passa diferente. Muito diferente.
Quem diria que foi somente há dois meses o fenómeno do “Olha o que o pessoal da agência preparou para voces?” Harlem Shake? Ou que nem faz um ano que o PSY chegou detonando e fazendo todo mundo dançar, sem exceções?
É claro que quando aquela sua amiga perdidona manda aquele vídeo da Ines Brasil você chega e comenta “OLD but gold”, mas mesmo assim tem que admitir que a internet anda MUITO veloz. Talvez a gravidade formada pela quantidade de informações e códigos em milhões de redes e servidores na Suécia cause isso. Talvez não.
Ou será que a gente é muito chato mesmo e quer tudo rápido, prontinho? E quer ser o novo cara mais cool da cidade porque “fui o primeiro a ver esse vídeo, nossa, muito legal!!!!” e gritar isso em plenos pulmões enquanto posta uma foto da sua xícara de café no instagram e um vídeo do seu sushi sendo devorado no Vine.
Seria importante saber lidar com todo esse tempo gasto e mal organizado. Mas, fazer o que se aquele nosso amigo acabou de postar todas as fotos daquele antigo churrasco em que todos ficaram bêbados e a Viviane foi flagrada só de calcinha tentando subir no telhado do vizinho?
Acho que nos resta voltar, aparar o bigode, sentar e, quem sabe, com ajuda de um francês massa, ter uma ótima ideia.
Ps: Enquanto você leu esse texto já atualizarem 40 fotos no seu “insta” e fizeram 80 piadinhas novas no Twitter. CORRE LÁ! Se não ninguém vai respeitar seu óculos grande de grau lá na facul.
*Djuli Mosena é estudante de Marketing, músico, criador do tumblr Esse dia foi foda e podcaster do Super Controle, além de mil outras coisas.