Postado por Facool - 04/03/2013 17:57
por Priscilla Panizzon*
Até lá o espertinho foi parar. Duvida? Uma das capas do mês de fevereiro da Revista Veja estampa o app do momento que é nada mais nada menos do que o tão falado “Bang with Friends”, que pergunta na lata com quem você quer transar. Mais simples impossível: basta clicar na foto dos desejados e esperar uma resposta, ou seja, um clique na sua fotinho de alguém que também quer te pegar. Os pombinhos trocam e-mails e pronto: bang! Em três semanas, mais de 500 mil pessoas acessaram e usaram o aplicativo. Tipo, muita gente. Já existem outros app que induzem a pegação, mas tão literal como o Bang, só ele mesmo. Será que esse treco é tudodebom mesmo?
Não sei se no fundo eu sou uma eterna romântica boboca ou o quê, mas não consegui simpatizar com esse negócio. Sério. E olha que eu gosto de sexo, hein. Sei lá o motivo que está lá guardadinho no fundo do meu baú para eu não achar o máximo essa super ultra facilidade para transar com quem já se desejou entre os nossos lençóis. Acho que é isso mesmo, ficou tudo muito fácil, tudo muito frio, tudo muito seco. Como assim tu vai transar com alguém que nem olhou nos olhos, nem flertou na balada, nem sentiu o gosto de álcool na boca?
Tem gente que diz que esse Bang não é tão sem sentido assim, afinal se trata de “sexo com amizade”. Ah, piada, amigos do Facebook são só meros conhecidos e olhe lá. Amizade verdadeira cabe em uma mão, quando muito. Alegam que por isso é diferente de transar com um total desconhecido. Pois eu acho muito melhor estender a noite com um cara que eu acabei de conhecer na balada, mas que pelo menos teve a decência de vir falar comigo, me oferecer um drink e me fazer rir. Ah, e muito importante, já sei que rola química. Sou totalmente a favor de sexo casual, mas não sexo casual escolhido num clique. É tão virtual que chega a me espantar.

Talvez, para aquelas e aqueles mais tímidos (e eu sou uma delas), seria uma boa estratégia. Mas o legal de ser tímido é ir perdendo a timidez, aos poucos, mesmo tendo que primeiro ficar vermelha como um pimentão. Sei lá... Acho estranho imaginar a cena do encontro marcado: “Oi! Vamos tirar a roupa, colocar a camisinha e transar? Ah não, melhor tu me chupar primeiro e depois eu te faço um oral também.” Sei que não vai ser assim, literalmente, estou exagerando, mas não muito diferente também. Sério... Um pouco demais. Ou melhor, um pouco de menos. Menos conversa, menos gafes, menos troca de olhares, menos beijos, menos frio na barriga, menos tesão.
Disseram que uma das coisas boas é que ninguém corre o risco de rejeição, por que é tudo si-gi-lo-so. Ninguém vai saber que aquele cara não quis te comer, nem tu. Ah, sim, por que o mundo e as pessoas estão aí só para nos agradar, não precisamos conviver com a rejeição e a frustração de cada dia. Conta outra. Eu vejo o Bang with Friends como a última das últimas alternativas para transar. Um misto de desespero por uma foda com uma dose de preguiça de tirar a bunda do sofá e se arriscar na vida real e um punhado de covardia por não ter coragem de levar um não e deixar a timidez tomar conta.
Sim, somos livres para fazer o que bem entendermos dos nossos corpos. Viva, viva a revolução sexual que estamos vivendo! Podemos escolher se chupamos, mordemos, beliscamos, lambemos, engolimos, fodemos ou não. Mas isso não é desculpa para não pensarmos duas vezes antes de irmos pra cama com alguém. Ou antes de clicar na cara de alguém com quem se quer transar. Afinal, e o resto? Como é que fica? O corpo amanhã está novo, mas e o coração? Os sentimentos? A autoestima? A solidão? A vida real? Ela não pede login e senha, mas pede sensibilidade, carinho e coragem. E disso o Bang se esqueceu.
*Priscilla Panizzon Aquariana com uma pitada de loucura, timidez, preguiça, gula, luxúria... Quase uma camaleoa. Sou uma apaixonada pela vida e por tudo o que há de gostoso nela, principalmente se envolver livros, chocolate e outras cositas más. Uma blogueira tentando se conhecer, se entender e ser feliz. Eu apenas quero sorrir... É estudante de jornalismo na UCS e criadora do blog Gostosuras Mais Travessuras.










