Literatura, tatuagens e sexo: Lola Benvenutti
Postado por Facool - 07/05/2013 13:34
por Priscilla Panizzon*
“Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma”, já aconselhava Guimarães Rosa em Grande Sertão – Veredas, para nós deixarmos para lá o que não merece nosso tempo. E o que definitivamente não merece nossos preciosos suspiros é o que os outros pensam de nós. É isso que Lola Benvenutti, ou Gabriela Natália da Silva (como preferirem), paulista de 21 anos, faz: está pouco se lixando para o que falam sobre ela ser garota de programa, mesmo tendo grana e um currículo onde consta uma graduação em uma universidade federal. Eis que ela é o burburinho picante da vez.
Essa ex-universitária, recém-formada no curso de Letras pela UFSCar, decidiu trabalhar com aquilo que mais gosta: transar. Diferente de outras estudantes, que viram prosti para pagar a facul ou para se manter, ela é categórica em afirmar que optou pela mais antiga profissão do mundo por livre e espontâneo desejo de muito sexo. A moça de longos cabelos castanhos e uma mecha loira na franja resolveu virar garota de programa antes mesmo de receber o canudo, só que esperou a conclusão do TCC para contar para todo mundo, ou divulgar na web, o que dá na mesma. Vai que aquela professora mal-comida não gostasse...
Lola leva no corpo incontáveis tatuagens, que vão desde desenhos até frases do autor ali de cima, além de palavras de Manuel Bandeira. Ah, sem esquecer que seu “nome artístico” é inspirado na mais famosa personagem de Nabokov, famoso escritor russo, e, vamos combinar, tem tudo a ver com a sua formação universitária e sua queda por sexo – ela conseguiu unir o útil ao agradável nesse pseudônimo. A meretriz ressalta ainda que não se formou por nada, deseja e vai tentar ser professora um dia. Não hesita em deixar claro, entretanto, que a vida na libertinagem enche bem mais o bolso.

À la Bruna Surfistinha (sem querer comparar, mas já inevitavelmente comparando), ela relata suas experiências sexuais num diário pessoal, que faz parte do mesmo blog onde ela divulga o seu trabalho, além de divulgar fotos vestindo (ou não) lingerie – sem tarja preta, óbvio. Depois de uma entrevista ao Portal G1, o blog viu as suas visitas diárias aumentarem enlouquecidamente (o que deve ter acontecido também com os seus horários reservados na agenda). Os “contos eróticos” são simples e diretos, sem enrolação. Já a descrição de cada programa também é “normal”, quase mecânica, uma vez que a ideia do blog passa longe de ser literatura erótica.
Depois que adentrou ao mundo de quem ganha dinheiro abrindo as pernas, não demorou muito para ela constatar o que todo mundo sabe que acontece, mas finge que não é da sua conta: morremos de vergonha de querer sentir prazer. Ela diz notar de forma nítida que o mundo do sexo é praticamente um mundo de tabus, onde quem ousa contestá-lo é tachado, no mínimo, como pervertido ou insalubre. Eis que essa acompanhante de luxo (porque barato ela não deve cobrar) é mais uma na luta contra todo esse pudor sem sentido em relação ao sexo. É mais uma que defende gozar e não se culpar.
Antes que me apedrejem, deixo claro que não estou induzindo à prostituição, muito menos glorificando a vida de quenga. Relax, people. Afinal, eu estremeço só de pensar em alguém me tocando sem eu estar com o mínimo tesão. A questão, logo, é outra: liberdade de escolha. Tão simples, tão complicada. Cada um faz o que bem entende com o seu corpo. Se ela se sente bem assim, deixem-na ser feliz, ser penetrada, ser chupada, ser gozada. É menos uma pessoa infeliz no mundo, e isso já é muito. Quanto tempo essa aventura vai durar? Tamanha exposição vale a pena? Se um dia ela vai se arrepender? Primeiro ela transa, depois ela pensa nisso.
*Priscilla Panizzon Aquariana com uma pitada de loucura, timidez, preguiça, gula, luxúria... Quase uma camaleoa. Sou uma apaixonada pela vida e por tudo o que há de gostoso nela, principalmente se envolver livros, chocolate e outras cositas más. Uma blogueira tentando se conhecer, se entender e ser feliz. Eu apenas quero sorrir... É estudante de jornalismo na UCS e criadora do blog Gostosuras Mais Travessuras.
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